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Por blaze
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#22506
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I. Semântica
II. Morfologia
III. Sintaxe
IV. Dicas para Legendagem
V. Sítios a Consultar


Este tutorial é uma continuação daquele que foi construído pelo Leinad4mind. Será constantemente enriquecido e usar-se-á o acordo ortográfico mais recente. Serve para todos nós que damos erros e em especial para aqueles que fazem redação, legendagem e tradução, pois são os mais responsáveis pela boa transmissão do modo como o nosso português deve ser escrito.
Não me vou preocupar em usar linguagem/terminologias mais adequadas à compreensão, pois a pesquisa é parte importante do processo de aprendizagem; ao invés disso, vou tentar ser o mais assertivo possível nas explicações. No final do tópico estão todos os sites de grande interesse.
As «Normas de Legendagem» são dedicadas àqueles que fazem legendagem e tradução, mas contém muita informação que é útil em qualquer tipo de redação.



I. Semântica
A semântica é o estudo do significado entre palavras e frases.


1. à, á, e ah

a) à
Esta é a contração de uma preposição com um artigo definido: a (preposição) + a (artigo definido ou pronome demonstrativo) = à
O uso do á simplesmente não existe.

Exemplo:
Incorreto: O João vai á feira.
Correto: O João vai à feira = O João vai a+a feira

O acento grave só surge em mais seis palavras portuguesas. A saber:
a) Às (a + as) → Ele foi para casa às quatro horas.
b) Àquele (a + aquele) → Ele foi àquele sítio de que te falei.
c) Àquela (a + aquela) → Ela foi àquela conferência.
d) Àqueles (a + aqueles) → Eles foram àqueles bares famosos.
e) Àquelas (a + aquelas) → Elas foram àquelas lojas.
f) Àquilo (a + aquilo) → Não ligues àquilo que ele disse.

b) á
O uso do á é feito somente quando há necessidade de acentuação em palavras (água, vácuo, etc.)
Aqui é importante notar que as palavras hifenizadas e com verbos conjugados no futuro também se incluem: ver-se-á, utilizar-se-á, etc.

c)
Esta palavra é uma forma do presente do indicativo do verbo haver na 3.ª pessoa do singular e denota uma posse, a possessão de algo. Assim sendo, quando há dúvidas acerca de qual palavra usar, se ou à, que se coloque na oração um vocábulo que indique uma posse, como existe ou até mesmo outra forma conjugal do verbo, como havia.

Exemplo:
a) Ele disse que há/à um acento na palavra
→ Ele disse que "existe" um acento na palavra = Ele disse que um acento na palavra.
b) O João vai há/à escola.
→ O João vai "existe" escola (não faz sentido) = O João vai à escola.

d)
Ah é uma interjeição exclamativa que serve para exprimir admiração. Ah, que bebé tão lindo!


2. porque, por que, porquê e por quê

a) porque
Escreve-se porque quando:
  • a) é uma conjunção coordenativa explicativa → Ele deve ter-se atrasado porque não levou o telemóvel.
  • b) é uma conjunção subordinativa causal → Não saio de casa porque está a chover.
  • c) é uma conjunção subordinativa final → Porque notem dos mouros enganosos (Os Lusíadas, II, 7)
    • Nestas situações a terminologia pode ser substituída pelas expressões para que e a fim de que.
  • d) é um pronome interrogativo (direto e indireto) → Porque esperas? e Perguntei porque esperas.
    • Nestas situações a terminologia pode ser substituída pelas expressões qual o motivo de/para, qual a causa de/para, qual a razão de/para.
      Assim sendo, Porque esperas? = Qual o motivo de estares à espera?.
Note-se que há uma diferença entre as alíneas a e b: enquanto a segunda exprime de facto uma causa, a primeira é somente uma dedução do orador.

b) por que
Escreve-se por que em:
  • a) orações interrogativas (diretas e indiretas) introduzidas por uma preposição por seguida do pronome/determinante interrogativo que com regência e argumento verbal. Por que esperas? e Perguntei por que esperas.
    • Nestas circunstâncias não há qualquer valor de causa. Com efeito, na pergunta Por que esperas? :
      por pertence à regência do verbo esperar (= Tu esperas por alguma coisa?)
      que corresponde ao argumento nominal do verbo esperar (= Tu esperas por alguma coisa?).
      Assim sendo, Por que esperas? = Por que coisa esperas?
  • b) orações interrogativas (diretas e indiretas) introduzidas por uma preposição por seguida do determinante interrogativo que com nomes expressos como motivo, causa, razão. → Por que motivo chegaram tarde? e Indaguei por que motivo chegaram tarde.
    • Nestas circunstâncias a sequência tem valor causal porque a preposição não pertence à regência do verbo (ou de outra classe gramatical).
  • c) orações relativas introduzidas por uma preposição argumental por seguida do pronome relativo que. → Chegou a encomenda por que esperava.
    • A preposição é regida pelo verbo (esperar) e o pronome relativo é o seu argumento nominal, por isso, nestas situações a terminologia pode ser substituída pela expressão pela qual.
      Assim sendo, Chegou a encomenda por que esperava. = Chegou a encomenda pela qual esperava.
  • d) orações relativas introduzidas pela preposição por seguida do pronome relativo que. → Explicaram o motivo por que chegaram tarde.
    • A preposição não é regência do verbo (chegar) mas introduz um complemento circunstancial de causa. → Chegaram tarde por motivos alheios à sua vontade. Por isso, nestas situações a terminologia pode ser substituída pela expressão pela qual.
      Assim sendo, Explicaram o motivo por que chegaram tarde. = Explicaram o motivo pelo qual chegaram tarde.
c) porquê
Escreve-se porquê quando:
  • a) é um advérbio interrogativo ou substantivo. Porquê todo esse trabalho? e Andas triste, porquê?
  • b) é um substantivo que significa causa, motivo ou razão. → Temos de averiguar o porquê dos resultados.
d) por quê
Esta terminologia simplesmente não existe.


3. emprego do particípio passado
Alguns verbos do português têm dois particípios passados, um conservador (isto é, que se forma segundo a regra geral da formação dos particípios passados) e outro considerado inovador (porque não obedece à regra geral):

a) conservador:
matar → matado
morrer → morrido
ganhar → ganhado

b) inovador:
matar → morto
morrer → morto
ganhar → ganho

O uso dos particípios passados não se faz, porém, de forma aleatória:
a) com os auxiliares ser e estar usa-se o particípio inovador; → Ele está morto., Ele foi morto., O dia está ganho.
b) bom o verbo ter usa-se a forma conservadora. → O João tinha matado a galinha., Este ano tem morrido muita gente., O João tem ganhado muito dinheiro com aquele projecto.

Note-se que o verbo ganhar está a perder o duplo particípio, sendo cada vez menos utilizado o particípio conservador. Começa a aparecer com alguma frequência «tem ganho». Há, aliás, quem considere que esta é já a forma recomendável e identifique «ter ganhado» como um regionalismo conservador.


4. homonímia

a) fizeste e fizestes
Tu fizeste — segunda pessoa do singular. → Henrique, fizeste o que te disse?
Vós fizestes — segunda pessoa do plural. → Henrique e Martim, fizestes o que vos disse?

b) ter que e ter de
Ter que expressa uma quantidade. Tenho que ir estudar. = Tenho muita coisa para estudar. e Tenho que comer. = Tenho alguns alimentos para comer.
Ter de expressa um desejo ou dever. Tenho de ir estudar. = Tenho o dever de ir estudar. e Tenho de comer. = Tenho o desejo de ir comer.

c) mandado e mandato
Mandato é período de tempo durante o qual uma pessoa ou um partido detêm os poderes próprios do cargo para que foram eleitos. → O Presidente cumpre um segundo mandato eleitoral.
Mandado é uma determinação escrita emanada de autoridade judicial ou administrativa. → A polícia revistou a casa do suspeito em cumprimento de um mandado de busca. e O juiz mandou emitir um mandado de captura.

d) interceção, intercessão e intersecção
Interceção é uma paráfrase do verbo intercetar e significa uma interrupção. → O jogador sofreu uma interceção do adversário e não conseguiu rematar.
Intercessão é uma paráfrase do verbo interceder e significa intervir. → A intercessão dele junto do meu patrão foi crucial para que eu fosse aumentado.
Interseção é uma paráfrase do verbo cruzar e significa um cruzamento. → Há uma intersecção nestas duas linhas.







II. Morfologia
A morfologia é o estudo da formação e estrutura das palavras.


1. hifenização de pronomes (acusativos e dativos)

a) -te
Vocábulos como passaste/passas-te, ficaste/ficas-te, estiveste/estives-te, comeste/comes-te, entre tantos outros, são muito confundidos e acabam por ser escritos de maneira errada.

Em primeiro lugar há que ver a pronúncia: as palavras hifenizadas são esdrúxulas (têm a sílaba tónica na antepenúltima sílaba) e as não hifenizadas são graves (têm a sílaba tónica na penúltima sílaba).
De seguida recorremos à gramática: as palavras hifenizadas são flexões na 2.ª pessoa do singular do presente do indicativo ao passo que as não hifenizadas estão pretérito perfeito, já que denotam uma ação acabada.

Uma mnemónica para ajudar a decidir que vocábulo aplicar é passar os pronomes para trás da palavra ou para o início da frase. Se fizer sentido (mesmo que não soe bem), está correto Ficas-te com pouco. = Tu ficas com pouco.

Exemplo:
a) Tu passaste o exame. → Ação no pretérito perfeito
b) Tu passas-te quando vês aquela miúda! → Flexão pronominal
c) Ficaste de passar os apontamentos. → Acção no pretérito perfeito
d) Ficas-te por aqui? → Tu ficas por aqui?
e) Estiveste bem no jogo. → Ação no pretérito perfeito
f) Estives-te a estudar este tempo todo? → A palavra não é esdrúxula (e por isso não existe)
g) Comeste os bolos todos? → Ação no pretérito perfeito
h) Comes-te os bolos todos? → "Tu te comes" não faz sentido (e por isso não existe)

b) -nos
Vejamos as seguintes alíneas:
a) Devemo-nos sentar.
b) Devemos sentar-nos.
c) Devemos sentarmo-nos.
Quando se tratam de locuções verbais formadas por um verbo auxiliar e um verbo principal no infinitivo ou gerúndio, podemos ligar o pronome átono ao verbo auxiliar ou ao verbo principal, mas nunca em ambos. Assim sendo, das opções anteriores, a primeira e a segunda estão corretas, e a terceira incorreta.

Exemplo:
Correto: devemo-nos sentar ou devemos sentar-nos, devemo-nos assoar ou devemos assoar-nos
Incorreto: devemos deitarmo-nos ou devemos assoarmo-nos

c) antecedentes do verbo
Devemos colocar os pronomes antes do verbo quando:
  • a) nas orações há uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.) e entre ela e o verbo não há vírgula. → Ele não me disse nada, Nunca me tinha apercebido disso e Ninguém me avisou
  • b) nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos. → Quem te disse isso?
  • c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo. → Que tudo te corra bem! e Bons olhos o vejam!
  • d) nas orações subordinadas desenvolvidas. → Quando ontem me deitei, ouvi barulho na rua.
  • e) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer, etc.) → Ambos se sentiam felizes. e Que alguém se acuse!
Exemplos incorretos:
a) Ele não disse-me nada.
b) Quem disse-te isso?
c) Que tudo corra-te bem!
d) Quando ontem deitei-me, ouvi barulho na rua.
e) Ambos sentiam-se felizes.


2. onde e aonde

a) onde
Onde = lugar em que/em que lugar
Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa alguma coisa. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em.

Exemplo:
a) Onde estás? Em casa.
b) Onde mora a Maria?
c) Não entendo onde ele estava com a cabeça quando falou nisso.
d) Não sei onde me apresentar nem a quem me dirigir.

b) aonde
Aonde = a que lugar
É a combinação da preposição a + onde. Indica movimento para algum lugar, dá ideia de aproximação. É usado com os verbos ir, chegar, retornar e outros que pedem a preposição a.

Exemplo:
a) Sabes aonde eles foram? Ao cinema.
b) A mulher do século XXI sabe muito bem aonde quer chegar.
c) Aonde nos levará esta discussão?
d) Estavam à deriva, sem saber aonde ir.
e) Há lugares no Universo aonde não se vai sozinho.


3. enquanto e enquanto que
Um erro muito comum e que passa pouco despercebido é o uso indiscriminadamente destas duas conjunções. Porém, só a primeira está correta, a segunda é um erro de morfologia. Vejamos os seguintes exemplos:

a) Eu trabalhava arduamente enquanto o outro descansava. = Eu trabalhava arduamente ao passo que o outro descansava.
b) Eu lia livros de ficção, enquanto ela só lia romances. = Eu lia livros de ficção, ao passo que ela só lia romances.

Em ambos os exemplos foram usadas conjunções subordinativas proporcionais. O uso errado de enquanto que dever-se à confusão entre as demais conjunções que desempenham o papel de proporção e que levam o pronome relativo que: à medida que, à proporção que, ao passo que.

Além disso, o enquanto também é também uma conjunção subordinativa temporal:
c) Ela lia livros enquanto eu jantava.

E, mais uma vez, o pronome relativo é constituinte nas demais conjunções temporais, dando assim a errada ideia de existir enquanto que: logo que, até que, antes que, depois que, assim que, sempre que, cada vez que, desde que.


4. derivados do verbo pôr
Ao contrário do que acontece com o verbo pôr, que leva acento circunflexo para se distinguir da preposição por, todos os verbos que são formados a partir dele não têm acento: antepor, dispor, entrepor, interpor, justapor, pospor, prepor, propor, repor, sobpor, sobrepor, sotopor, subpor, superpor.


5. abreviaturas
A abreviatura é a representação escrita de uma palavra ou palavras com menos letras do que as da sua grafia normal. O uso de abreviaturas destina-se a economizar tempo e espaço e deve obedecer a algumas normas:

A norma geral para abreviar palavras consiste em escrever
  • a) a primeira letra seguida de ponto; → n. = nome
  • b) a primeira sílaba e a primeira letra da segunda sílaba, seguidas de ponto; → arc. = arcaico
  • c) se a primeira letra da segunda sílaba for vogal, deve escrever-se até à próxima consoante; → neol. = neologismo
  • d) se a segunda sílaba começar com duas consoantes, as duas farão parte da abreviatura. → decr. = decreto
Exceções:
  • a) as abreviaturas devem respeitar a palavra original quanto ao uso de maiúscula ou minúscula, acentuação e hífenes; → Ex.ª = Excelência, pág. = página, m.-q.-p. = mais-que-perfeito
  • b) todas as abreviaturas devem terminar com ponto e depois dele pode-se colocar-se qualquer sinal de pontuação, excepto ponto final. → Ele fez as compras do mês; comprou carne, ovos, farinha, cebolas, etc.






III. Sintaxe
A sintaxe é o estudo das regras para as construções frásicas.


1. pleonasmos
O recurso expressivo pleonasmo é uma redundância que enfatiza inutilmente uma expressão. Não há muito que explicar, uma vista de olhos numa lista corrige muitos erros:
Spoiler
Show
  • Anexar junto
    Hemorragia de sangue
    Panorama geral
    Adiar para depois
    Fogo que arde
    Elo de ligação
    Certeza absoluta
    Nos dias 1, 2 e 3, inclusive
    Juntamente com
    Em duas metades iguais
    Sintomas indicativos
    Há anos atrás
    Detalhes minuciosos
    Todos foram unânimes
    Encarar de frente
    Empréstimo temporário
    Surpresa inesperada
    Escolha opcional
    Planear antecipadamente
    Última versão definitiva
    Comparecer pessoalmente
    Propriedade característica
    Multidão de pessoas
    Modelo de referência
    Outra alternativa
    Voltar atrás
2. problemas de regência com verbos
A expressão «penso eu de que» proferida pelo Bimbo da Costa, um dos bonecos do Contra-Informação, serviu para caricaturar uma tendência para o uso errado da expressão «de que». O verbo pensar não exige a preposição de, porque não pensamos de alguma coisa, pensamos em alguma coisa, logo, pensamos que.
Já outros verbos, em determinados contextos, requerem o uso da preposição de. Vejam-se alguns exemplos:

a) Ele informou-o de que iria chegar tarde.
b) Ele informou que iria chegar tarde.
Quando o complemento indirecto se encontra expresso, o verbo deve vir seguido da preposição de. Quando não se indica a pessoa a quem se destina a informação, não se utiliza a preposição de, conforme se verifica em b).

c) Ele certificou-se de que tudo estava preparado para a reunião.
d) Ele certificou que ele tinha estado presente na reunião.
Quem se certifica, certifica-se de alguma coisa. Por isso com a forma reflexa do verbo certificar, devemos utilizar a preposição de. Já quando se usa o verbo certificar, com o sentido passar uma certidão ou de atestar, não é necessária a preposição.

Assim, a expressão «de que» aplica-se quando podemos aplicar ao verbo a expressão «de alguma coisa»:
a) Ele assegurou-se de que estava tudo bem fechado;
b) Ele convenceu-se de que tinha razão;
c) Ele apercebeu-se de que estava enganado;
d) Ele lembrou-se de que tinha deixado o forno ligado.

Não se deve usar a preposição de com os verbos: afirmar, anunciar, comunicar, confessar, declarar, dizer, expor, manifestar, noticiar, ordenar, pretextar, proferir, publicitar, saber.

Portanto:
a) Ele declarou que ia embora.
b) Ele declarou de que ia embora.
c) Ele informou o pai de que ia embora.
d) Ele informou o pai que ia embora.


3. concordância do verbo com sujeito composto
Quando temos um sujeito composto, em geral, o verbo vai para o plural. → A Maria e o irmão saíram.
No entanto, há algumas excepções:
  • a) quando os elementos do sujeito estão ligados por com, o verbo pode usar-se no plural se concordar com ambos os elementos, ou no singular se concordar com o primeiro sujeito; → O João com a Maria foram ao cinema., O João, com o primo, foi ao cinema.
  • b) se os elementos do sujeito são ligados por ou ou nem, o verbo vai para o plural se a ação disser respeito aos dois elementos, ou fica no singular se apenas tiver a ver com um dos elementos; → Nem a chuva nem o frio o impediram de sair., Ele queria vir, mas ou o trânsito ou o trabalho impediu-o.
  • c) com as expressões um ou outro e nem um nem outro, o verbo fica geralmente no singular, embora também possa ficar no plural. → Nem um nem outro percebeu o que se tinha passado., Nem um nem outro perceberam o que se tinha passado.
  • d) o verbo pode ficar no singular quando os elementos do sujeito são resumidos por um pronome indefinido como cada qual, cada um, nada, ninguém, tudo, etc.; → A Ana, o irmão e os pais, ninguém saiu de casa.
  • e) quando os elementos do sujeito estão ligados por uma conjunção comparativa (como, assim como, bem como, etc.), o verbo pode concordar com o primeiro elemento se se pretende destacá-lo; → A Maria, como o irmão, é inteligente.
  • f) quando o verbo vem antes do sujeito, pode haver concordância com o elemento mais próximo, caso em que o verbo fica no singular; → chegou a vizinha do rés-do-chão e o marido.
  • g) o verbo pode ficar no singular quando os elementos do sujeito são dois ou mais infinitivos. → Ir lá, encontrá-lo e abraçá-lo era o que ela mais queria.






IV. Dicas para Legendagem


1. uso desnecessário de pronomes (nominativos e acusativos)

a) eu
Um erro a que se assiste, com alguma frequência, é ao uso exagerado da palavra eu. Ou seja, na língua Inglesa usa-se muito o I (eu). Todavia, há muitas situações em que, na nossa língua, não fica muito correcto colocar sempre eu quando no original está I.

No exemplo seguinte o seu uso é justificado:
I also think!
Eu também acho!

Todavia, analisemos os exemplos seguintes:
a)
I thought it would be nice.
Eu pensei que seria agradável.
Nesta situação, o eu é desnecessário: o mais normal é dizermos «Pensei que seria agradável.»
b)
Like I said, I always bring the dessert.
Tal como eu disse, eu trago sempre a sobremesa.
Neste exemplo temos dois eu; basta dizermos a frase para nós mesmos para chegarmos à conclusão que não soa bem, não é como falamos. Poderia ficar «Tal como disse, eu trago sempre a sobremesa.» ou até «Tal como disse, trago sempre a sobremesa.»

Correto:
I see you at home.
Vejo-te em casa.
Incorreto:
I see you at home.
Eu vejo-te em casa.

Nem sempre devemos traduzir 100% à letra. Tanto quanto possível podemos e devemos alterar e colocar uma expressão ou frase que se adeque mais ao modo como falamos. Ao não o fazermos, há uma tendência a algumas frases soarem a artificial, isto é, está em português mas não é um português que se fale normalmente.

b) tu
Tal como o eu, também se assiste ao uso em demasia de tu bem como os restantes nominativos.

Correto:
Well, you are right...
Bem, tens razão... (ou melhor ainda) Tens razão...
Incorreto:
Well, you are right...
Bem, tu tens razão...

c) me
Os pronomes acusativos por vezes também são suscetíveis a gerar falhar nas traduções.

Correto:
Today I'm feeling generous.
Hoje estou a sentir-me generoso.
Incorreto:
Today I'm feeling generous.
Hoje estou-me a sentir generoso.


2. uso desnecessário de apenas
Outro palavra que se usa na língua Inglesa e que nem sempre devemos usar é o just (apenas).

Correto:
Just forget what I said before.
Esquece o que disse antes.
Incorreto:
Just forget what I said before.
Apenas esquece o que disse antes.

Correto:
Just let me keep this in my recipe box.
Deixa-me guardar isto na minha caixa de receitas.
Incorreto:
Just let me keep this in my recipe box.
Deixa-me apenas guardar isto na minha caixa de receitas.


3. traduções demasiado literais
Este é outro aspeto que se assiste com alguma frequência. Não devemos ter medo de alterar a frase colocando-a num português mais correcto e, especialmente, muito menos artificial.

Correto:
And I want him to feel that he's part of the decision making process.
E quero que ele sinta que também participa na tomada de decisões.
Incorreto:
And I want him to feel that he's part of the decision making process.
E quero que ele sinta que também faz parte no processo de tomada de decisões.



Em resumo, depois de traduzir uma frase, leiam-na para vós mesmos e vejam se soa bem. Se não soar, provavelmente algo tem de ser alterado. Esta pequena regra, ajuda imenso a melhorar as nossas traduções.







V. Sítios a Consultar

acerca do acordo ortográfico
Portal da Língua Portuguesa

tira-dúvidas
FLiP - Dúvidas Linguísticas
Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

paronímias
tracinho
Em Português Corre(c)to

dicionários
infopédia
priberam
Última edição por blaze em 18 ago 2015, 16:46, editado 16 vezes no total.
This topic was moved from Tutoriais Gold by Beel-sama on 15 ago 2015, 23:25.
Redelfy, Dahitman, Vivaz e 3 outros agradeceram
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Por uzumaki10
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#22508
Se com isto, os erros das fansubs novas não diminuírem em 80%, nada o fará. Excelente tutorial, que já tinha visto no antigo fórum.
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Por EdoPT90
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#22509
A isto se chama o Bom Português :P
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Por Beel-sama
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#22512
Já tinha lido isto no gold velho, tal como o uzumaki10, mas nunca é tarde para aprender, neste caso, para reler. Portanto, quando tiver um pouco mais de tempo volto a dar uma vista de olhos nisto. ^^
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Por Leinad4Mind
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#22513
Tenho é de pôr o tópico mais apresentável. Com melhores cores etc. Mas meh... x'D
Avatar do Utilizador
Por Xykko
Posts Signature Avatar
#22515
essas letras a azul escuro é que me mata a vista
as de resto excelente tutorial
Avatar do Utilizador
Por Leinad4Mind
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#22518
Já fiz uma rápida correcção nas cores. Removendo o azul horrível. :^^:
Avatar do Utilizador
Por Paka
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#22524
Vermelho é que é lindo. :D :tongue:
Avatar do Utilizador
Por Tinoco
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#28242
Bom tutorial :3 Um destes é que dava jeito ao pessoal que escreve fan fics no SMPt xD
Por promac
#40255
:portugal:

Exmo Sr Leinad ,

Excelente Tutorial, mas creio que 80% não vai aproveitar este documento , ou seja com a iliteracia que existe na "malta nova" penso que nem entender vão o que está escrito. Excelente trabalho feito.

:portugal:
Por Redelfy
#40960
Excelente tutorial, mesmo muito bom.
E concordo contigo!
Eu também vou continuar a escrever tal e qual como aprendi na escola. :happy:

Relativamente ao acordo ortográfico, para mim não tem lógica nenhuma.

Tirar acentos!? pêlo --> pelo, pára --> para, bóia --> boia, gibóia --> giboia, etc :scared:
Tirar ifens? hei-de --> hei de, hás-de --> has de
entre outros...

Ai, coitados dos nossos filhos :pullhair: Imagino o meu filho quando começar a ler, as bacoradas que vai dar. OMG :knife:
Por O4U
Posts
#40964
Redelfy :Relativamente ao acordo ortográfico, para mim não tem lógica nenhuma.

Tirar acentos!?  pêlo --> pelo,   pára --> para,   bóia --> boia,    gibóia --> giboia, etc    :scared:
Tirar ifens? hei-de --> hei de,  hás-de --> has de
entre outros...

Ai, coitados dos nossos filhos  :pullhair:   Imagino o meu filho quando começar a ler, as bacoradas que vai dar.  OMG  :knife:
Isto é.. a sério? LOL! Mas que vergonha!

Eu pensava que o novo acordo ortográfico só mudava as palavras que tinham C's e tal, mas tirar acentos? Isso não tem lógica nenhuma!

Português não é Inglês que não se usa acentos quaisquer e escreve-se dumas maneiras estranhas e disse-se doutras.
Avatar do Utilizador
Por danirap
Posts Avatar
#40966
blabla28371 :
Redelfy :Relativamente ao acordo ortográfico, para mim não tem lógica nenhuma.

Tirar acentos!?  pêlo --> pelo,   pára --> para,   bóia --> boia,    gibóia --> giboia, etc    :scared:
Tirar ifens? hei-de --> hei de,  hás-de --> has de
entre outros...

Ai, coitados dos nossos filhos  :pullhair:   Imagino o meu filho quando começar a ler, as bacoradas que vai dar.  OMG  :knife:
Isto é.. a sério? LOL! Mas que vergonha!

Eu pensava que o novo acordo ortográfico só mudava as palavras que tinham C's e tal, mas tirar acentos? Isso não tem lógica nenhuma!

Português não é Inglês que não se usa acentos quaisquer e escreve-se dumas maneiras estranhas e disse-se doutras.
E vai mais longe... tens também a questão das minúsculas e das maiúsculas - agora escreve-se "verão" e "segunda feira" lol e, das minhas preferidas, temos que os "telespectadores" passam a ser "telespetadores" XD XD XD
Nem os britânicos fizeram acordos políticos com os americanos em nome da "união" e "globalidade" para acabarem as "lifts" para começarem todos a dizer "rides"! É ridículo... cada língua tem a suas características e o "nosso" português está cada vez a desaparecer mais! Enfim...

Não ficando off-topic (provavelmente já o fiquei :whatlol: ), obrigado pelo tutorial, Leinad :godfather: é sempre bom caso tenha uma dúvida ou outra ^^
Por Redelfy
#40973
danirap :E vai mais longe... tens também a questão das minúsculas e das maiúsculas - agora escreve-se "verão" e "segunda feira" lol e, das minhas preferidas, temos que os "telespectadores" passam a ser "telespetadores" XD  XD  XD
Nem os britânicos fizeram acordos políticos com os americanos em nome da "união" e "globalidade" para acabarem as "lifts" para começarem todos a dizer "rides"! É ridículo... cada língua tem a suas características e o "nosso" português está cada vez a desaparecer mais! Enfim...

Não ficando off-topic (provavelmente já o fiquei :whatlol: ), obrigado pelo tutorial, Leinad :godfather: é sempre bom caso tenha uma dúvida ou outra ^^

Bem, pelo menos ainda nos vamos rir quando os nossos filhos nos perguntarem:
-"O que são telespetadores?" e nós iremos responder o quê?
-"Bem, são pessoas que se espetam na televisão!" ??
:dumb:
Deviam era espetar uma lambada na cara de quem teve esta espetacular ideia do novo Acordo. :baka:
Avatar do Utilizador
Por Degenerated
Posts Avatar
#41068
Leinad adiciona aí o termo Quaisquer vs Quaisqueres.
Para quem não sabe, está errado utilizar o segundo.
O primeiro é o correcto.
Avatar do Utilizador
Por Beel-sama
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#41069
Para quem não sabe*.
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Por Degenerated
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#41074
Thank you, captain obvious!
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Por Beel-sama
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#41078
:hide:
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Por terechan
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#51323
Encontrei este site que achei super adequado para colocar aqui, já que tem a ver com um erro muito comum aqui no gold, sendo dado por fansubbers e não fansubbers. Refiro-me à errada colocação do hífen. Quem costuma dar este género de erros deveria ler e absorver o que está neste site pois está muito bem explicado. Este é o site: http://tracinho.com/
Por O4U
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#51327
Isso pode vir a ser muito útil, obrigado, Tere-chan!

Alguém tem um dicionário do novo Português em digital/aplicação?

Pergunta: Facto é facto? Ou passou de facto a fato? :hum:

Poderiam dar reupload dos links por favor? :open_[…]

[Pedido] X-Men

Já agora, onde diz feedback, podem sugerir que p[…]

Talvez estas colectâneas tenham essa curta: http[…]

Alguém que me sabe onde arranjar o anime completo […]