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Por blaze
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#238431
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Lista de capítulos:
× O Desafio Começa!
× Carpe Diem
Última edição por blaze em 31 jul 2015, 11:56, editado 3 vezes no total.
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Por blaze
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#239184
O Desafio Começa!
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— Que jogo é esse? — Perguntou o Eduardo ao seu amigo enquanto fechava a matéria de Matemática para o teste do dia seguinte.
— A sério que andas com isso atrás de ti? A um domingo? — Respondeu o Tiago sem dizer que jogo tinha acabado de comprar.
— Estava aqui a pensar e fiquei numa dúvida por isso abri o bloco de notas. — Justificou o Eduardo.
— Hum-hum. E precisaste de consultar a matéria toda?
— Não foi toda.
— Não…! Começaste nas derivadas de funções lineares e acabaste na primitivação de funções racionais. Pensas que eu não vi?
— Oh hum! Que queres? Quando decidi fazer o 4.º ciclo em Ciências nunca imaginaria que fosse assim tão complicado!
— De facto também nunca pensei que o 10.º ano fosse assim tão difícil. — Concordou o Tiago.
— Ah, vês, afinal concordas comigo.
— Claro que concordo, também tenho saudades das equações lineares no 4.º ano, mas daí a abrir as anotações num domingo à tarde…
— Eu tenho três irmãos!! Sabes quanto tempo tenho para estudar??
— Oh Eduardo, se fosses menos viciado nos jogos tinhas mais tempo.
— O quê!? Vi… É que nem te atrevas em voltar a dizer isso! Eu tenho gosto porque não preciso ficar conectado duas semanas inteiras nas férias para entrar para o TOP100!
— Medusa.
— Sim Tiago, muda de assunto. E eu já tinha visto a capa do jogo antes de desligares o quadro.
O Tiago e o Eduardo são dois grandes amigos que estudam na mesma turma numa escola especializada em Ciências e Tecnologias e estavam a meio do primeiro ano do 4.º ciclo. Estavam juntos desde o 1.º ano e não se tinham separado desde então. Regressavam do cinema e o Tiago tinha aberto o seu quadro para dar uma vista de olhos matéria de matemática que saía no teste do dia seguinte enquanto o Eduardo comprava o jogo mais recente da empresa «cyborg».
Há pouco mais de uma década essa empresa surgiu no mundo como um pequeno Big Bang e revolucionou o quotidiano de todos os cidadãos. Destronou por completo as gigantes que dominavam o mundo desde os inícios do terceiro milénio, quer as de sistemas operativos, quer as de jogos, tecnologias e eletrónicas. Começou por trazer pequenas mudanças como uma revolução na tão aclamada internet até chegar aos grandes furacões de evolução com hardwares para seres humanos.
Daí também o seu nome, «cyborg corporation», porque todo o seu cerne se baseia na cibernética. Aliás, a tal desatualizada internet passou a chamar-se «cibernet» precisamente por a nova empresa ter revolucionado o modo como ela funcionava e se processava, transformando-a numa autêntica teia galáctica de beleza descomunal. O que se seguiu depois foram sucessivas iterações que resultaram num crescimento exponencial de fazer cair o queixo.
O tal quadro que os amigos falaram e estavam a usar era simplesmente um projeção luminosa a poucos centímetros dos seus corpos e que reunia todas as funcionalidades que os antiquados telemóveis, computadores e semelhantes tinham. Era um plano eletromagnético que obedecia ao toque dos dedos dos usuários através das suas propriedades térmicas e elétricas. Há quem o use na vertical, na diagonal, mais para a esquerda, mais para a direita; enfim, na quarta década do século XXI era tão vital como os antigos smartphones.
A este género de funcionalidades chama-se realidade aumentada porque adicionam ao quotidiano ferramentas que potencializam até a própria vida. Como está intrinsecamente ligada ao tal hardware para humanos é capaz de fazer diagnósticos muito precisos acerca das condições de saúde dos utilizadores, por exemplo. Um atleta consegue obter grandes precisões acerca dos seu treinos e o que melhorar — apresentar trajetórias de deslocamentos com as respetivas velocidades e acelerações é o básico dos básicos para qualquer software de realidade aumentada.
A componente complementar desta funcionalidade é a realidade virtual e juntas constituem o sistema operativo criado pela cyborg. É nela onde os jogadores fazem os seus jogos, como a Medusa que o Tiago acabou de comprar. Funciona como um sonho acordado e por isso não há impossíveis. O uso mais prático dela é na medicina e derivados, e facilmente se entende porquê. O grande trunfo desta componente foi conseguir reproduzir no corpo físico tudo o que se passa na virtualidade.
— Mas vá, é sobre o quê esse jogo. — Perguntou o Eduardo que não era muito dado a jogos mas que nem para ele tinha sido impossível ficar indiferente ao enorme furor que o jogo estava a ter.
— É um género que mistura fantasia com ficção. Podes batalhar com armas futuristas, com armas medievais ou com uma mistura das duas. Por incrível que pareça quem usa as mais antigas não é vencido assim tão facilmente quanto se pensa. A guilda que está em primeiro lugar tem apenas oito membros e nenhum usa armas muito avançadas. O máximo que fazem é adicionar tecnologias às armas antigas para as tornar mais defensivas e mortíferas contra as futuristas, mas mantêm muito a essência arcaica.
— Como assim? Ou são antigas ou são futuristas!
— Eles podem alterar o metal das lâminas das espadas para titânio ou ligas de carbono, por exemplo. Há dias houve a batalha mensal de servidor e conseguiram defender-se dos canhões de plasma da guilda em segundo lugar com um aparente escudo de madeira.
— O quê!? Como raio é isso possível!? Eles devem ter uma espécie de Simão e Pedro na guilda, só pode. Eles têm de ser uns génios para fazer tal coisa!!
— De facto, a melhor arma dessa guilda é precisamente o intelecto, por isso é que se mantém isolada no topo. Gostava de fazer lá uma guilda, mas não tenho ninguém que queira jogar.
— Eu jogo! — Disse o Eduardo.
— O quê, tu? A fazeres um jogo? Ahahah! — O Tiago quis ser simpático e não se rir, mas não conseguiu.
— Agora estou chateado. Que mal tem?
— Deves estar a brincar comigo, só pode. Tu não fazes jogos desde que te apaixonaste por uma avatar feminino de um jogador masculino.
— Isso é completamente mentira! Eu nunca gostei daquele avatar!
— E do jogador?
— Olha, vai mas é…
O Eduardo foi interrompido da sua interjeição nada amistosa com um alerta que apareceu no seu quadro à sua frente por ele programado. Queria ser devidamente notificado assim que um dos seus amigos gémeos, ou o Simão ou o Pedro, vissem o seu «c-mail» acerca das suas dúvidas para o teste. Como a cyborg reinventou toda a internet não é de estranhar até os correios eletrónicos sofreram alterações e passaram a ser correios cibernéticos.
— Não vais ler o c-mail, pois não? Nem a alterar a visualização disfarças nada.
O quadro era ajustável quanto à visualização e era, por padrão, legível para ângulos oblíquos até 60°. Como é evidente, era sempre paralelo ao usuário, visto que o hardware que permitia tal projeção era comodamente colocado no esterno. E como o Tiago estava bem perto do Eduardo conseguia estar dentro desse alcance.
— Só quero ver uma coisa. Mas conta lá mais sobre o jogo que é para depois te humilhar quando ficar em melhor classificação que tu. Por que se chama Medusa?
— Pois, esse é o cerne do jogo, tem a ver com o objetivo final. Nem mesmo os melhores jogadores sabem ao certo o que é. E é claro, a guilda em número um com armas “rústicas” deve saber o que é ou pelo menos há de ter grandes teorias acerca disso.
O Tiago terminou de falar ao mesmo tempo que o Eduardo fechou o seu quadro. Afinal de contas sempre tinha estado certo, só começou a fazer confusão na matéria por uma coisita sem jeito nenhum. Assim sim, gostava de saber que sabia as coisas.
— Desculpa, o quê? — Perguntou ele ao amigo que lhe tinha acabado de dar a explicação.
— Bugalhos. — Respondeu ele aborrecido por ter estado a falar para o boneco.
— Mas eu nem sequer falei em alhos! — Respondeu o Eduardo a rir-se. — Mas olha, queres jogar comigo ou não?
O Tiago lá fingiu que disfarçava um sorriso e consentiu. Ele até que gostava de ensinar noobs a tornarem-se profissionais. E, diga-se de passagem, vê-los a serem farmados dava um gozo enorme. Iam para casa do Eduardo porque ficava mais perto do cinema e então no resto do caminho ele comprou também o jogo e leram as instruções básicas, pois as avançadas incluindo os tutoriais eram já dentro da realidade virtual.
Já no quarto do amigo colocaram os seus «neuro-gear», que são periféricos para o corpo humano, visto que não se enquadram na classificação de hardware. Os seus protótipos foram os «nerve-gear» que evoluíram para algo mais fundamental, mas tanto uns como outros sempre se basearam em entrelaçamentos quânticos para funcionarem. Sentiram logo a leve atração magnética entre eles. São muito semelhantes aos antiquados auriculares e por isso são bastante cómodos.
— Iniciar ligação! — Disseram eles praticamente em uníssono.
Uma série de pulsos térmicos, elétricos e luminosos fluíram reciprocamente entre os neuro-gear e propagaram-se pelos nervos dos seus corpos, levando as suas consciências para a realidade cibernética com todos os seus neurónios a receberem todos os estímulos virtuais. Depois de escolherem os seus avatares de jogo e feito os tutoriais — e depois do Tiago ter esperado duas horas até o Eduardo ter feito tudo isso — iniciaram as suas aventuras pelo jogo.
— Que vença o melhor. — Disse o Tiago esticando a mão ao seu melhor amigo.
— Obrigado. — Aceitou o Eduardo o “elogio”.
Última edição por blaze em 31 jul 2015, 05:41, editado 2 vezes no total.
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Por Bento
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#239208
Não sei se devo comentar aqui, mas blaze não é para levares a mal, só que não consegui acabar de ler. Fiquei logo no início. O diálogo inicial está totalmente confuso. Baralhas frases e perdes-te em quem estás a falar. Há uma ou outra frase sem sentido. E no final deste diálogo até tu te trocas.

Esclarecendo melhor:
  • "Oh Eduardo, se fosses menos viciado nos jogos tinhas mais tempo." Esta frase é dita pelo Tiago, tem de ser, se não ele não dizia "Oh Eduardo". Mas se seguirmos os número de travessões do início até aqui, esta frase deveria ser proferida pelo Eduardo. E a partir daqui é sempre a descambar.
  • "O quê!? Vi…" Vi o quê?
  • "Eu tenho gosto porque não preciso ficar conectado duas semanas inteiras nas férias para entrar para o TOP100!" Tem gosto em quê?
  • "Medusa" Medusa suponho que seja o nome do jogo, mas no local onde é mencionado não faz sentido nenhum.
  • "Sim Tiago, muda de assunto. E eu já tinha visto a capa do jogo antes de desligares o quadro." Era o Eduardo que estava a jogar, logo quem deveria ter visto o nome do jogo era o Tiago e consequentemente diria "Sim Eduardo"
Além disto naquilo a que chamas 4º ciclo que me parece equivaler ao secundário não se dão primitivas. Assim como no 4º ano ainda não se equações lineares, é algo que só se dá para aí no 7º ano. Se criaste um mundo teu tudo muito bem, se queres recriar o nosso mundo, então tens de ser mais coerente.

Mas esta parte final nem foi o problema, mas o diálogo em que não se entende quem fala e em que parecem faltar falas, desmotivou-me logo e não tive vontade de ler mais. Tens de ser mais cuidado e reler o que escreves.
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Por blaze
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#239212
De facto troquei os nomes porque corrigi o excel mas não o word XD
Na fase de construção de personagens é mais que normal isso acontecer :eheh:
O resto do que disseste tem a sua devia lógica e contextualização, por isso volta a ler ser se necessário for.
E como é evidente, tudo o que é escrito é relido, mas nunca numa fase inicial :well:
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Por blaze
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#250936
Carpe Diem
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— Espera por mim! — Suplicou o Eduardo que estava a ficar para trás enquanto o Tiago corria à sua frente como se fosse nada.
Por o seu colega estar muito mais habituado aos jogos, o seu corpo movia mais facilmente dentro da realidade virtual. Alguns jogos adicionavam atributos ao próprio corpo: força, rapidez, resistência, entre muitos outros, fazendo dos avatares dos jogos autênticos heróis; outros como a Medusa pouco ou nada faziam em relação a isso, deixando os jogadores vencerem pelas suas próprias capacidades da realidade. E neste caso, além do Eduardo não ser tão bom a atletismo quanto o Tiago, não conseguia habituar-se tão bem ao ambiente virtual por não jogar tão frequentemente.
— É com essa genica toda que tomas conta dos teus irmãos? — Brincou o Tiago parando para que o seu amigo o apanhasse. — E sim, o teu nick de jogo condiz mesmo bem contigo. — Completou a rir-se. Tinha escolhido “Rakurai”, que é a palavra japonesa para «raio». — Não duvido que sejas estrondoso como um trovão, mas rápido como um relâmpago não és de certeza, senhor “Rakurai”.
— Ainda. — Retorquiu o Eduardo ofegante.
A Medusa era um jogo que não era vencido pela conquista de níveis, tal como a maioria dos jogos. Tudo se passava num megacontinente, Ragnarök, onde havia vários ambientes possíveis, desde cenários vulcânicos até paisagens glaciais. As guildas combatiam entre si pela conquista de território, aquela que conseguisse dominar toda a área possível sagrar-se-ia a campeã e tornar-se-ia a «Imperatriz» e teria um papel importante na fase seguinte do jogo.
Ao que parecia, ele era divido em Éons, o período geológico superior às Eras, e neste primeiro o objetivo era simplesmente a conquista total de todo o território; no segundo, numa deriva continental, ainda não se sabia ao certo o que esperava aos jogadores, mas cada continente era governado pela guilda vencedora, a tal Imperatriz, excepto um. Este género de recompensa misturada com o mistério fazia com que muitas pessoas comprassem o jogo. Uns jogavam apenas pelo prazer, outros pelo desejo ardente da vitória e serem os senhores dos continentes, outros queriam apenas o dinheiro que a empresa oferecia àqueles que passassem o jogo todo. E não era uma quantia pequena. A cyborg era simplesmente genial nas sua comercialização.
Escolhendo uma localização ao acaso, os dois amigos tinham ido para a um ambiente florestal que ficava mais ou menos ao meio do megacontinente. Era um lugar bem pacato, até o começarem a explorar. Tinham surgido num portal de pedra e o Tiago tinha-se posto a correr em direção à floresta, pois já sabia que ali haveriam animais para exterminar, algo que lhes dava experiencia de jogo e tornava os seus avatares mais poderosos. Ela começava com pequenos arbustos e árvores muito rasteiras, mas olhando para cima dava para ver que bem mais à frente começavam a aparecer árvores tão grandes como as sequoias.
— Eh! — Exclamou o Eduardo quando olhava em frente tentando perceber o que se movia umas boas dezenas de metros embrenhado na floresta. Mas a sua exclamação de espanto transformou-se numa interrogação quando conseguiu distinguir um animal com trinta metros de altura, nada amigável.
— Boa! Encontraste um! — Disse o Tiago virando-se na direção para a qual o seu amigo olhava.
Contente? Por que motivo o Tiago estava contente? A visão daquilo que parecia ser um dinossauro carnívoro deixou o Eduardo um pouco com medo, mas ver a expressão divertida do seu amigo deixou-o deveras apavorado. Era suposto ficar feliz?
— Bem, vê lá se não morres logo no primeiro combate. Isto nem sequer é jogador contra jogador, quase que não há motivos para perder.
Dito isto pôs-se a correr em direção ao animal, desaparecendo floresta adentro. O dinossauro, vendo uma presa fácil, pôs-se igualmente a correr. Os seus passos faziam estremecer o chão e logo no primeiro impacto fez com que as aves que estavam empoleiradas em árvores num redor de umas boas dezenas de metros esvoaçarem. Um manto negro fugia da copa das árvores. Por uns instantes, houve sombra.
— É suposto lutarmos contra aquilo? — Disse o Eduardo com uma voz que não reconhecia como sua, mas o seu amigo já há muito que se tinha ido embora.
No lado superior esquerdo do seu ângulo de visão podia ver o seu nome e a sua barra de energia; do lado esquerdo aparecia as características daquilo que ele considerava como um adversário. Neste caso era um dinossauro com mil pontos de vida, por isso uma barra vermelha com uns números vermelhos por cima indicavam «1 000 HP». Quanto a si, era uma barra verde com números verdes que diziam «150 HP». Logo abaixo aparecia em azul os dados do Tiago porque logo de início tinham formado uma guilda; o tamanho da informação era mais pequena por não ser tão importante para o jogador, mas apontava os mesmos pontos de vida.
— Saca da tua espada! – Gritou-lhe uma voz ao de longe e que se aproximava a uma velocidade estonteante.
Oh, claro! Como não se tinha lembrado disso antes? Era falta de prática. As suas armas de eleição tinham sido umas espadas ao estilo samurai: uma katana e uma wakizashi. Ia para desembainhar a mais longa quando viu o seu amigo aparecer em cima da cabeça do dinossauro gigantesco com os braços cruzados e com uma calma santa. Dava a ideia de fazer aquilo todos os dias.
— Oh, pois, claro! Como é que não me lembrei de fazer isso mais cedo? — Resmungou ele entre dentes. Ainda agora tinham começado e superar o Tiago neste jogo estava já a provar-se quase impossível. Lá de cima ouviu de novo gritar que usasse as armas. — Pois, vou mesmo matar esta coisa com um palito. — Resmungou de novo.
O Eduardo não estava minimamente habituado a fazer jogos, fossem eles quais fossem. Qualquer um tinha feito qualquer coisa, menos ficar à frente de um inimigo bem maior que ele, com atributos gigantescos (como força, velocidade e resistência), já para não falar dos pontos de vida que eram quase sete vezes superior. Ah, e claro, sem armas propícias para o enfrentar. Dando uma patada rápida à frente, o dinossauro baixou-se ao nível do jogador e soltou um rugido que fez reverberar tudo. Por momentos, a sensação de terem os ossos a tremer foi enviada pelo simulador. Aquilo deve-se ter ouvido a quilómetros de distância! E claro, agora estava todo babado graças à saliva que tinha chovido daquela bocarra.
Ouviu o seu amigo dizer qualquer coisa, mas não entendeu bem o quê. Disse-lhe ainda mais qualquer coisa mas não teve a certeza se tinha compreendido: ainda tinha os ouvidos a zunir. «Queres perder o avatar agora?» foi o que lhe pareceu e a julgar pela cara assustada do amigo, se calhar tinha sido isso mesmo. Um arrepio subiu-lhe pelas costas acima, mas não demorou muito tempo. No instante a seguir o dinossauro tinha posto a cabeça num ângulo esquisito, aberto a boca e cerrado os dentes bem no meio da sua cintura.
Com o coração aos pulos e com medo de morrer tentou libertar-se mas era tarde de mais. O dinossauro bateu de lado e ruidosamente com a cabeça no chão, tentando talvez fazer mais força para não deixar a sua presa fugir. Devia ser sádico, pois se tivesse batido com o queixo podia tê-lo comido logo, mas deveria estar a guardá-lo para depois brincar com ele. Ou dá-lo de comer às suas crias. Por mais força que fizesse, as mandíbulas não se mexiam nem um centímetro. Estava verdadeiramente entalado e um olho amarelo com uma preta fenda vertical fitava-o sem piscar. Com coração aos pulos conseguiu, sem saber bem como, escorregar pelos dentes. Talvez a saliva o tivesse ajudado. Mas boa! Agora estava dentro da boca dele! Foi de mal a pior. Bem, ao menos já não “morria” cortado em dois.
Com o seu coração sempre a ribombar, ainda demorou algum tempo para perceber que a barra vermelha do inimigo tinha desaparecido. De facto, o dinossauro estava imóvel. Obrigou-se a acalmar e então ouviu uns risos abafados vindos de lá de fora. Ficou deveras irritado. Tentou sair dali mas não conseguiu. Só à terceira tentativa é que teve sucesso, após abrir a custo mais um bocadinho a boca daquele monstro gigante.
— Meu… tu não tens amor à própria vida. — Disse o Tiago quando finalmente o Eduardo caiu de costas no chão. Ele não respondeu. Estava chateado consigo mesmo. — Acho que já perdeste o nosso desafio, salvei-te a vida e poupei-te o trabalho de teres de construir um avatar novo. — Como ele estava amuado, não ligou e prosseguiu.
— Vamos ver se encontramos uma civilização próxima daqui. Normalmente somos sempre enviados a poucos quilómetros de uma civilização. Lá devem haver novatos que queriam lutar contigo em troca dumas moedas de ouro.
Mal disse isso veio-lhe à ideia que a hipótese do seu amigo ficar com nenhuma moeda era até bastante elevada. Afastando essa ideia da cabeça, ajudou-o a levantar-se, afinal de contas estavam ali para se divertirem e doravante seriam mestre e pupilo. Não havia outra alternativa. Pelo caminho o Tiago foi mostrando ao Eduardo certos truques que só se aprendem com a experiência e que lhe teriam dado muito jeito mais cedo.
— Fiz de propósito. — Justificou-se o Eduardo enquanto se dirigiam para Havandard, a cidade que lhes tinha aparecido no mapa. Era sempre assim que ele respondia quando ficava chateado consigo mesmo. O Tiago achava que isso lhe dava resiliência.
«Acho que somos um tanto ou quanto diferentes. Eu vivo o carpe diem enquanto ele anda nos limites YOLO» pensou divertidamente o Tiago, quase deixando escapar uma gargalhada. Se soubesse o quão iriam recorrer a essas expressões nos próximos dias não teria rido tanto.

O Simão e o Pedro liam descontraidamente os seus livros deitados de barriga para baixo nas suas camas. Adoravam ler. Gostavam de ouvir música enquanto liam, mas desta vez tinham deixado a televisão ligada. Talvez fosse uma espécie de despedida, pois não gostavam muito de tê-la no quarto e então arranjaram maneira de a despachar dali para fora. É que vendo bem, o lugar que ela ocupava dava perfeitamente para meter uma pequena estante com livros! Possuíam uma concentração incrível, podiam estar no meio de uma estação de comboio que podiam entra no mundo da fantasia e da ficção sem qualquer problema. No entanto, foram despertados pela notícia que tinha interrompido o telejornal
«A rede cibernética da cyborg corporation sofreu um ataque cracker que durou cerca de dois minutos antes dos informáticos da empresa descobrirem as vulnerabilidades e expulsarem os intrusos. O sucedido ocorreu há quarenta e cinco minutos e desde então a cyborg tem vindo a erguer novos sistemas de defesa e procura novos algoritmos para melhorar as suas barreiras. Uma resposta rápida e efetiva, mas que tardou em aparecer», dizia a simpática locutora do noticiário. «Em apenas cento e vinte segundos, uma equipa cracker intitulado como Carpe Diem conseguiu causar estragos em torno dos dois mil milhões de dólares americanos, cerca de seiscentos milhões dracmas europeus. Computadores em tudo o mundo encravaram e milhões de jogadores perderam as suas contas on-line. Incontáveis aparelhos médicos ficaram inoperacionais. O diretor executivo da cyborg corporation já se pronunciou sobre a situação: “Estamos já habituados a estes ataques. Por azar, este foi longe demais, os nossos técnicos não descobriram a falha a tempo. Mas há nada a temer, é graças a estes grupos que ficamos mais fortes e confiantes”».
A jornalista continuou mas os gémeos nem ligaram. Já tinham ouvido que chegue. Estava de boca aberta e já tinham perdido a página do livro. Havia inúmeras teorias da conspiração à volta da cyborg corporation mas dada a boa fama e reputação da empresa, quase ninguém lhes ligava, a não ser os entusiastas e aqueles que a odiavam. Os gémeos, sempre com um pensamento forte em discernimento, simplesmente ignoravam estas ideias forjadas para manchar a honra da empresa, mas mantinham-nas sempre na ideia, pois até prova em contrário, eram todos culpados. E pela primeira vez tinham agora provas para corroborar algumas dessas teorias.
Uma delas, talvez a principal e mais imutável, afirma que a cyborg simplesmente planeja o controlo do planeta. Para começar, a verdade não estava longe disso, visto que praticamente tudo o que é dispositivo eletrónico funcionava à base de sistemas operacionais desta empresa. Depois, a recente tecnologia de hardwares para humanos veio dar total dependência humana à empresa. Mas claro, não é assim que se conquista um planeta, usando uma força muito dissimulada, porque na verdade, é uma força de qualquer das formas. Um planeta conquista-se pelo amor. Se houver um antagonista resistente à cyborg e que seja uma ameaça à humanidade, todos vão buscar refúgio à empresa. Mantendo este jogo até à última, humano por humano vai sucumbir à magnanimidade da CC e irá nutrir um amor incondicional por ela. Afinal de contas, quem é que luta contra os crackers que ameaçam o conforto terreste? Quem demonstra compaixão pelos fracos e indefesos?
Os gémeos estavam simplesmente fora de si. A jornalista não falou muito, mas não foi preciso mais para que aqueles dois percebessem que a esmagadora maioria população terrestre podia ter uma ideia muito errada da gigante empresarial simpatizada por todos.
— E-Eu nunca pensei que as teorias da conspiração contra a cyborg pudessem ter o mínimo de fundamento. — Disse o Pedro.
— Tu e eu. Tu e eu. — Respondeu-lhe o gémeo sem saber o que dizer.
Podiam estar a exagerar. Podiam simplesmente estar a fazer um filme nas suas cabeças. Só que… era tudo tão conveniente. A cyborg nunca, nunca deixaria ser crackeada por dois minutos. Nunca. É verdade que sofriam ataques, é nada mais que o esperado. Mas uma empresa que cria tecnologia que permite que tetraplégicos possam “caminhar de novo” simplesmente não iria abaixo por causa de umas linhas de código. Eram demasiado geniais para isso. Tinham, deliberadamente, baixado as defesas.

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